Delação de Silval Barbosa aponta que Daltinho gravou reunião para chantagear deputados

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Da Redação – com Carlos Dorileo – Gazeta Digital

Segundo a delação feita pelo ex-governador Silval Barbosa, homologada pelo ministro Luiz Fux em 09 de agosto último e liberada para divulgação no dia 25 daquele mês; o deputado Adalto de Freias, o Daltinho, gravou reunião mantida entre deputados da Assembléia Legislativa para chantageá-los em seguida com o objetivo de manter-se no cargo.

Conforme a delação, reproduzida abaixo, o ex-governador conta que a reunião teria acontecido entre os anos de 2012 e 2013, com a pauta de se discutir como arrancar dinheiro ilegalmente do governo do Estado.

Em sua delação premiada a Procuradoria Geral da República, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) revelou que o deputado estadual Adalto de Freitas Filho, conhecido como “Daltinho” (Patriota), gravava reuniões entre os parlamantares nos anos de 2012 e 2013. Nestes encontros na sede do Legislativo, de acordo com Silval, os deputados debatiam como iriam conseguir mais vantagens indevidas no governo do Estado através de chantagens.

CHANTAGEM

Conforme o relato de Silval, Daltinho, que na época era suplente, usava as gravações para chantagear os parlamentares e se manter no exercício do mandato. Tal reunião foi gravada pelo deputado Adauto de Freitas, vulgo Daltinho, que passou a chantagear os deputados estaduais da época usando tal gravação para manter-se no mandato, pois ele era suplente na época”, diz trecho da delação.

O delator teve conhecimento da chantagem por meio dos deputados Romoaldo Júnior (PMDB), Mauro Savi (PSB) e do ex-deputado José Riva (sem partido), que comandavam a Assembleia Legislativa no período. Silval também relatou que após uma destas reuniões, os deputados José Riva (sem partido), Mauro Savi, Romoaldo Júnior, Gilmar Fabris (PSD), Baiano Filho (PMDB), Wagner Ramos (PR) e Dilmar Dalbosco (DEM) foram até o Palácio Paiaguás exigindo participações nas obras da Copa do Mundo. Eles informaram que caso não fossem beneficiados, rejeitariam as contas do Governo e criariam dificuldades nas aprovações de leis.

Após as cobranças, Barbosa disse ter passado para alguns dos deputados percentuais de obras, no montante de R$ 400 milhões, do programa MT Integrado. Os parlamentares receberam entre 3% e 4% dos contratos com empreiteiras.

Para isso, o ex-governador declarou que caberia aos deputados negociarem diretamente com os empresários o “retorno”. “No entanto, eles não aceitaram tratar diretamente com os empresários, ficando decidido com os deputados estaduais que o colaborador iria ficar responsável por nomear alguém para receber esse montante de 3% a 4% dos empresários e repassar para os deputados estaduais”, disse Silval.

Na reunião, ficou decidido pelo ex-chefe do executivo que o ex-secretário-adjunto da Secretaria de Infraestrutura, Valdísio Viriato, seria responsável por receber o percentual dos empresários. “Ficou estipulado o valor de R$ 600 mil reais por deputado, sendo que Silvio tem uma lista contendo os valores repassados a cada deputado”, explica numa referência ao ex-chefe de gabinete, Sílvio Correa.

DELAÇÃO

A delação do ex-governador à Procuradoria Geral da República foi homologada pelo ministro Luiz Fux no último dia 9 de agosto. Nesta sexta-feira (25), ele levantou o sigilo dos depoimentos.

Ela envolve deputados estaduais, federais, ex-secretários, senadores e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apontou o ministro como o líder da organização criminosa.

Confira abaixo o conteúdo da delação do ex-governador Silval Barbosa:

daltinho-chantagem.jpg

 

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