“Polaco não morreu, virou estrela brilhando no céu de Nova Xavantina…”; leia crônica de Ezio Garcia

IMORTALIDADES

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Da Redação – Ezio Garcia

“Agente não morre, torna a ficar encantado” (Guimarães Rosa)

Chego de SP por volta das duas horas da madrugada deste sábado, 08, após um prolongado período de férias na capital paulista, e noto a cidade triste, desde a rodoviária, com uma certa introspecção no ar, mesmo para o horário. Havia no silêncio da noite e na solidão das ruas, a sombra de uma grande tristeza pairando.

POLACO

No trajeto, em companhia do meu filho Pedro, vi os bares fechando -alguns com renitentes boêmios- num dia que parecia ter sido sem chuva. Atravessamos a ponte e entramos na rua da casa do Vivi -Olevi Masson Filho, na Av. Mestre Venáncio de Oliveira. Aí a ficha caiu: Polaco.

Sim, o grande guerreiro nova xavantinense, empresário de sucesso em Confresa e em toda a região do baixo Araguaia, José Emerson Leandro Masson, o Polaco, filho de Osvado Masson -autor do Hino de Nova Xavantina- e membro da pioneiríssima família Masson; havia nos deixado há exatos sete dias, na cidade de Confresa, onde morava e trabalhava, causando um vazio e um buraco tão grandes no seio da comunidade, que se pode comparar aos atuais desastres climáticos que assolam o Brasil e o mundo.

Um solavanco grande.

NOITES CULTURAIS

Guerreiro forte e empreendedor, nascido de família de guerreiros rompedores, Polaco e a família Masson implantaram em Nova Xavantina as noites culturais e artísticas no início da década de 80, tempo das serestas de alta classe, onde havia não só musica de qualidade nas noitadas, com violino (Ilzo Lemos), escaleta (Osvaldo Masson), violão (Jãnio) e a bela voz de Duílio Bianchi, todos já falecidos.

Havia também intensa produção cultural, como a fundação do jornal O Roncador -o primeiro jornal impresso em sistema off-set no Vale do Araguaia, que saiu dessa turminha mais Olevi Masson, o Saroba, entre outras realizações do período, como a Escola PAM, de Pintura, Artesanato e Música; a formação de um Coral de vozes com regência do maestro de Ribeirão Preto, Antonio Carlos Carbogini, eventos culturais, etc.

HINO DA CIDADE

Tempo das serestas, da qualidade musical e artística, do despojamento, da entrega total e do amor à cidade. Tempo em que nasceu o Hino oficial de Nova Xavantina, composto or Osvaldo Masson.

Polaco tinha tudo isso no sangue.

Apaxonado, intenso, presente, esforçado, de tão grande corinthiano -como toda a família- pôs nome ao filho de Roberto Rivelino, para homenagear o ídolo e seguir seu coração.

É natural que Nova Xavantina ainda esteja triste e introvertida com sua partida no último dia 31. Um elo muito grande e muito forte nos deixou, fazendo um estrago imenso, mesmo que seja no insconsciente das pessoas.

ESTRELA

Em casa nesta madrugada, enquanto pensava no assunto, divisei entre as folhagens das árvores uma estrela brilhando, muito forte e cintilante, atravessando os obstáculos e se fazendo presente, como que dizendo: “estou aqui”.

Compreendi no ato que uma pedaço tão rico e lindo de nossa história, tão profundo e histórico, jamais poderia se perder, como se nada ou nunca tivesse acontecido. Isso jamais.

Pelo contrário, esses valôres adquiridos estão lá, em algum lugar do universo, embutidos no brilho das estrelas, registrados, cintilando, protegendo, orientando, se mostrando, no ceú de Nova Xavantina e onde mais for preciso, disponíveis, como era o Polaco.

Vamos em frente…