Da Redação – Ezio Garcia
Já passava da 0.00 horas deste dia 21 de abril, quando a TV Bandeirantes iniciou o seu programa semanal Canal Livre, entrevistando a historiadora Heloísa Starling, autora do livro “Independencia do Brasil -as mulheres que estavam lá”.

Como sabemos, o feriado nacional do dia 21 de abril é dedicado á memória de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, morto neste dia em 1792, no Rio de Janeiro, por enforcamento, acusado de ser o líder do movimento destinado a libertar o Brasil de Portugal, movimento que ficou conhecido na história como a Inconfidência ou a Conjuração Mineira.
O livro e a autora tratam da figura da ÚNICA mulher presente no movimento, de forma ativa e decisiva, em posição de comando, lado à lado com Tiradentes, propositadamante esquecida pelos livros de história: Hipólita Jacinto Teixeira de Mello.

CONDENADA AO ESQUECIMENTO
Dizem os gregos que o esquecimento é pior do que a morte, pois na morte ainda se deixa a memória, os feitos, as relações e tudo o que foi realizado. No esquecimento não fica nada, é como se a pessoa não tivesse existido. Esse foi o castigo da Coroa Portugesa imposto à Hipólita: o esquecimento, além do confisco dos bens, que depois ela recuperou.
Mineira rica, proprietária rural nascida em Prados-MG, possuidora na época da terceira maior fortuna do Estado segundo a historiadora -também mineira-, Hipólita se engajou no movimento através de seu marido, Coronel Francisco Antonio de Oliveira Lopes, que era amigo de Tiradentes, conhecia os planos dos revolucionários, e ela os apoiava, realizava reuniões em sua casa, financiava ações.

COMUNICAÇÃO
No momento da prisão de Tiradentes, foi ela quem assumiu o comando das operações, comunicando a todos o que estava acontecendo e dando ordens para que se pusesse o plano nas ruas, para deflagrar os acontecimentos.
Mulher culta, inteligente, que sabia vários idiomas, traduzia a Constituição Francesa para Tiradentes, para municiar o líder em suas ações, já que o movimento foi todo inspirado no Iluminismo que impulsionou a Revolução Francesa.
É de sua autoria uma carta que denunciou Joaquim Silvério dos Reis como o traidor de seus “companheiros” de revolução. Foi autora ainda de diversos avisos sigilosos, dando conta de que o Tiradentes fora detido no Rio de Janeiro.

QUEM NÃO É CAPAZ, NÃO SE META!
Para se ter uma ideia de sua personalidade e ascendência junto aos inconfidentes, em sua carta ao padre Carlos Correa de Toledo comunicando a prisão de Tiradentes e insistindo para que os planos fossem levados ás ruas, Hipólita escreveu: “Dou-vos parte, com certeza, de que se acham presos, no Rio de Janeiro, Joaquim Silvério dos Reis e o alferes Tiradentes, para que vos sirva ou se ponham em cautela; e quem não é capaz para as coisas, não se meta nelas; e mais vale morrer com honra que viver com desonra“.
Quando percebeu que o movimento fracassava, tentou alertar o coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, aconselhando-o para “montar uma reação, a partir lá do Serro.”[ Em vão.
Os inconfidentes, incluindo o marido, foram presos e condenados à prisão perpétua, com o marido sendo enviado para Moçambique, onde faleceu. Só Tiradentes foi condenador à forca, segundo a Coroa, para “servir de exemplo”. Hipolita morreu de icterícia em 1828, em Prados, sua cidade natal.

ENFIM, O RECONHECIMENTO
Tendo conseguido recuperar parte de seus bens confiscados pela Coroa, foi condenada ao esquecimento histórico, que agora termina, 197 anos depois. Já em 1.999, o então governador de Minas, Itamar Franco, concedeu Condecoração à Hipólita, por solicitação da então Procuradora do Governo de MG hoje ministra do STF, Cármem Lúcia.
Em setembro de 2023 a cantora e compositora Zelia Dunkan em parceria com Ana Costa lançaram a música “Dona Hipólita Jacinta” em homenagem á heroína da Inconfidência, e em janeiro deste ano, o governo Lula inscreveu o nome de Hipólita Jacinta Teixeira de Melo no Livro de Aço dos Heróis e Heroínas da Pátria, que fica na Praça dos Três Poderes, cumprindo a lei federal 15.086/2025, votada e aprovada pelo Senado.






