Da Redação
Já não bastava a partida no último domingo, 24, aos 93 anos, do cartunista, chargista, jornalista e humorista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o nosso querido Jaguar -um dos fundadores da chamada imprensa alternativa brasileira, cujo carro chefe foi o jornal O Pasquim, célebre tabloide carioca dos anos 60 e 70 que com inteligência e sarcasmo, resistiu brava e humoristicamente a ditadura militar do período.

O cartunista Jaguar
Agora, neste sábado, 30, parte o grande escritor, cronista, cartunista e chargista, jornalista, músico e roteirista de cinema e TV, Luis Fernando Veríssimo, aos 88 anos
VERÍSSIMO
Gaúcho de Porto Alegre, filho do escritor Érico Veríssimo, saxofonista de jazz e torcedor fanático do Sporth Club Internacional, Luís Fernando Veríssimo publicou mais de 80 livros; é criador de personagens famosos como a Velhinha de Taubaté (“a única pessoa do mundo que ainda acredita no governo”), o detetive Ed Mort, que virou filme de longa metragem estrelado por Paulo Betti; o Analista de Bagé, que virou best-seller campeão absoluto de vendas, e muitos outros.
Para a TV, escreveu para a Rede Globo o roteiro de 21 episódios do programa semanal “Comédia da Vida Privada”, protagonizado por Luís Fernando Guimarães e Fernanda Torres.
SINTÉTICO
De texto precioso, preciso e sintético, fino, sútil e humorístico, Luís Fernando Veríssimo foi mestre na arte de dizer muito em poucas palavras -“O socialismo para dar certo precisa de um bom patrocinador”; “o futuro antigamente era melhor” e tantas outras são exemplos disso.
Suas deliciosas crônicas, publicadas no Estadão entre1988 e 2021, quando sofreu um AVC que o impediu de continuar escrevendo, eram aguardadas avidamente pelos leitores e leitoras.
‘EMBURRECIMENTO”
A morte do escritor, juntamente com a de Jaguar, fecham uma semana triste para a cultura brasileira, que perde dois baluartes do pensamento livre, produtivo, sem as barreiras nem as amarras da polaridade atual que imbeciliza e empobrece culturalmente a população, dividindo-a no fla x flu ideológico de direita x esquerda que limita e emburrece o pensamento nacional.
Fica um vazio imenso, profundo, de um ciclo luminoso que se vai, e um abismo escuro à frente. Como disse a escritora gaúcha Martha Medeiros, “é difícil acordar num mundo onde o Luís Fernando Veríssimo não está”.
Que venha um outro e novo ciclo, urgente e rapidamente, trazido pelas novas gerações. Afinal, “Deus é brasileiro”, como diz o povo, e com razão, em sua sábia Intuição.

O escritor Luís Fernando Veríssimo



