Da Redação – Editorial
A declaração unilateral feita pelo governo americano no último dia 28, através do Secretário de Estado Marco Rúbio, classificando as organizações criminosas que atuam no Brasil, PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) de “terroristas”, com potencial portanto de “ameaça” a todo planeta, foi classificada pelo Assessor Especial da Presidência da República, ex-ministro das Relações Exteriores por dois mandatos, Celso Amorim, como “pretexto inaceitável para intervenção”
Tem total razão o experiente parlamentar.
Primeiro porque trata-se de mais um erro crasso de raciocínio do governo americano. Terrorista é uma coisa, facções criminosas que atuam no Brasil são outra completamente diferente.
Terrorista mata em nome de uma causa qualquer, política ou religiosa, é um fanático em potencial. Já os traficantes não matam em seus negócios, pelo contrário, querem as pessoas vivíssimas para consumir seus produtos e aumentar os lucros, a rentabilidade, a rede de influência.
Segundo, porque tem boi na linha, e esse boi tem nome e partido político: os Bolsonaros. Não é de hoje e não é segredo para ninguém, que a família trabalha “in loco” em Waschington, onde inclusive reside o filho número 01, Eduardo Bolsonaro, fazendo gestão junto ao primeiro escalão do governo americano para trabalharem juntos em ações movidas pelo extremismo.
A semelhança da invasão do Capitólio nos EUA em 06 de janeiro de 2021, e do Congresso Nacional em Brasília, em 08 de janeiro de 2023, não deixa dúvidas.
Há outras semelhanças muito mais profundas e ideológicas entre ambos —Trump e Bolsonaro; por exemplo, a atração pelo autoritarismo, que caracteriza os extremistas de toda espécie.
Para coroar o anúncio da semana passada, previsto para vigorar a partir de 05 de junho próximo, sexta feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve dias antes na Casa Branca, e providenciou, segundo circulou na internet, uma foto souvenier com o presidente Trump -àquelas que são dadas (vendidas) pelas Instituições visitadas como brindes, lembranças, etc..aos visitantes.
E terceiro, porque o crime organizado tem que ser combatido sim, no Brasil e no mundo todo, como disse o ex-ministro Celso Amorim, mas, cooperações internacionais neste sentido são bem vindas no âmbito do combate à lavagem de dinheiro do crime organizado e contrabando de armas; no resto, NÃO.
O resto, como disse o ex-ministro e com toda a razão, “é pretexto para intervenção”, inclusive militar, se os EUA assim o decidir, o que foi taxado de “inaceitável” pelo representante do governo brasileiro.
O presidente dos EUA já invadiu a Venezuela, cercou Cuba, quer tomar a Groenlândia…e com essa declaração inusitada, sem perguntar nada para ninguém, está tecnicamente “se” autorizando a realizar operações no Brasil, militarmente, se assim o desejar, como fez na Venezuela.
Não somos a Venezuela, somos o Brasil, um País rico em recursos naturais, como o nióbio por exemplo, que poderiam ser perfeitamente saqueados, ou perdermos a soberania sobre eles, sob o pretexto de que quem estaria na área (os indígenas provavelmente) fossem membros das supra citadas facções…
Sonhos de um imperialista de verão…
Ele não sabe que “Deus é Brasileiro”; e se sabe, está morrendo de inveja…
O presidente Lula ainda não se pronunciou sobre o assunto, mas certamente o fará nos próximos dias.





