Da Redação – Ezio Garcia
A frase saiu do meu sobrinho Sérgio, numa tarde memorável no famoso Bar do Justo, tradicional ponto de encontro do bairro Santana, zona norte de São Paulo; e exprime o pensamento dos paulistanos sobre o momento político brasileiro atual, dominado por esta polarização doentia que tomou conta do País.
Segundo o Sergião, como este ano é ano de eleição, já existe uma atualização desta máxima, verdadeiramente genial dos paulistas: amigos e familiares de ambos os lados se separariam até o dia da eleição, ou não se falariam.
No dia seguinte, tudo voltaria ao normal.
O EXEMPLO DE SÃO PAULO
O saudoso deputado Ulysses Guimarães teria dito uma vez que qualquer coisa para dar certo no Brasil. teria que começar por Goiânia.
Desta vez vou discordar do grande brasileiro.
A máxima paulistana, cidade que adora uma boa mesa, um bom prato e um bom petisco, cujo Estado é o mais rico da federação e sua capital está entre as maiores capitais do mundo no item gastronomia; esse pensamento reflete um estado de espírito que aos poucos vai se tornando realidade em todo Brasil.
De fato, exceto na militância digital, que é paga para isso; no meio do povo, nos bares, nos encontros, nos eventos e nas redes sociais, lulistas e bolsonaristas estão deixando de lado em quem vão votar dia 04 de outubro -até porque o voto é secreto; preferindo falar, discutir e saborear as coisas boas da vida, e o torresmo é uma delas.
A COPA
Outra é a Copa do Mundo, que está sendo disputada nos EUA.
Até o fiasco da Seleção, durante o sucesso dos jogos iniciais, ninguém queria saber de política, presencialmente ou nas redes sociais.
O amor pela Seleção uniu o povo.
Lulistas e bolsonaristas se abraçavam esperançosos em torno do sonho do hexa. O País virou uma coisa só, “a Pátria de chuteiras”, como diria Nelson Rodrigues.
APAGÃO QUE NOS FAZ MAIS FORTES
Após o fiasco contra a Noruega, deu-se um apagão do qual até agora não nos recuperamos, todos querendo entender o que aconteceu.
E de novo, este apagão está unindo o País.
Alguma coisa ficou, e o que ficou é exatamente isto: a percepção de que estamos todos no mesmo barco, momentaneamente à deriva, devido ao apagão, mas todos NUM SÓ e mesmo barco.
Ou seja: se a canoa do hexa virou, o barco de nossa identidade, nossas raízes e nosso destino NÃO.
E partindo da premissa de que “tudo o que vem para nos derrubar e não consegue, nos torna mais fortes”, estamos mais vivos do que nunca, com nosso torresmo, nossa política, nossa cultura e nossa identidade à flôr da pele, seguindo em frente…
É o Brasil, que discute sobre tudo, menos sobre torresmo, e outras cositas más.



