Da Redação
O dia era um dia qualquer de uma semana qualquer do ano de 2010 ou 2011. Corria o primeiro mandato do ex-prefeito de Nova Xavantina Gercino Caetano Rosa (in memorian), de quem tive a honra e o privilégio de ser seu Assessor de Imprensa.
Aquele dia ele passou cedo em casa, sem avisar: “vamos alí”, bradou.. Fui, sem fazer perguntas (ordens do chefe não se discute), e ele também nada falou.
Entre os “bons dias” e os etecéteras, paramos no Café Camarada, ele desceu e notei que pegou um punhado de mudas de árvores, várias, não sei quantas, enxada, enxadão, pá, cavadeira e seguimos.
Tomamos o rumo do PA Safra até chegarmos na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, que eu não conhecia, um pequeno lugarejo, de vários moradores -pequenos produtores- uma sede da associação, e um amplo terreno livre e limpo ao redor.
Lá, nos aguardava alegres e festivos alguns tantos de moradores, igualmente equipados e prontos para o trabalho. Então soube o que íamos fazer, inclusive ajudei. Plantamos 100 (cem) mudas de eucaliptos, rapidamente, em sistema de mutirão. Para minha frustração, Gercino não deixou fotografar, nada.
Em seguida veio o almoço, festivo, farto e saboroso, feito e oferecido pela comunidade. Após o que, cumprimentos, abraços, agradecimentos, despedidas, e voltamos, com aquele ar e prazer na alma só proporcionável pelo sentimento indizível e nobre do dever cumprido.
No caminho, lamentei: “Pôxa Gercino, porque você não quis que eu fotografasse, isso daria uma materiaça…”. E ele, professoral e profissional, sabendo perfeitamente o que estava fazendo:
“Não precisa; daqui um tempo essas árvores vão crescer, vão fazer sombras…você acha que algum dia esta comunidade vai esquecer disso?…”.
Calei-me, meio sem concordar, ou sem entender direito o alcance do que estava me dizendo.
Esse tempo passou e eu nunca mais voltei àquela localidade. Há uns dois anos, nas andanças do Papai Noel, a caravana percorrendo o PA Safra passou por um lugar lindíssimo, cheio de eucaliptos, viçosos, imponentes e sobranceiros, que faziam uma sombra formidável num amplo terreno, convidando para descer e passar um tempo.
“Que lugar é esse?” perguntei.
“É a Comunidade Nossa Senhora Aparecida” me responderam. Aí entendi integralmente as palavras do Gercino.
Dez anos depois, voltou aquele sentimento indizível do dever cumprido, de plenitude, paz e sucesso, que explica a sensação de imortalidade que se tem com relação à Gercino.
A sensação de que ele não morreu, que continua vivíssimo entre nós, como um grande e benfazejo eucalipto, calado e vigilante, exalando o bem, o bom e o belo para toda a cidade.
Bom domingo à todos!
Viva Nova Xavantina!
Viva o Gercino!



