Da Redação -Poucas & Boas
Ela não esteve no apartamento da vilã da novela das nove da Rede Globo,”Vale Tudo”, nem está entre os cinco suspeitos de terem dado o tiro fatal na personagem Odete Roitman (Débora Bloch).
Diga-se de passagem que na versão original escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basseres, levada ao ar em1988, Odete (Beatriz Segall) levou o tiro de Leila (Cassia Kiss), então mulher de Marco Aurélio (Reginaldo Farias).
Desta vez Leila (Carolina Dieckmann) não está entre os suspeitos.
O BLEFE DE CELINA
Pelo contrário, no capítulo desta segunda feira,13, quem se apresentou ao delegado que conduz as investigações dizendo ter matado a odiada vilã foi sua irmã Celina (Malu Galli).
Confissão que ninguém entre os 29 milhões de expectadores calculados da audiência acreditou.
Um dos motivos é que a própria emissora em chamadas de sua programação anuncia para o dia 17, sexta feira, dia do último capítulo, a revelação do verdadeiro assassino ou assassina.
ROTEIRO
São cinco os suspeitos: César (Cauã Reymond); Maria de Fátima (Bella Campos); Marco Aurélio (Alexandre Nero); Heleninha (Paolla Oliveira) e Celina (Malu Galli)
Dizem que a excelente roteirista Manuela Dias, responsável pela atualização da trama, tem gravado cinco versões diferentes para o final, cada qual para um dos suspeitos, e que, o escolhido será quem o público mais acreditar que seja, ele ou ela.
VOCÊ DECIDE
Neste caso, seria como o “Você decide”, programa da década de 90 da emissora que sondava a opinião pública sobre o desfecho de questões, temas e situações cotidianas levantados pela produção, cuja essência era a filosofia de que a arte imita a vida e a vida imita a arte.
O final era qual o público escolhesse, por votação.
Se for assim, segundo o programa “Fantástico” apresentado neste domingo,12, a personagem Maria de Fátima lidera as pesquisas, com 29% das citações.
Por enquanto, só Manuela Dias sabe quem será.
IRACEMA
Mudando de assunto e dentro do assunto, sobre a máxima de que a arte imita a vida e a vida imita a arte, nada é comparável à história por trás do samba “Iracema”, imortal composição do grande Adoniran Barbosa, contada por Jô Soares num de seus últimos programas na Rede Globo.
Ícone do samba paulistano e brasileiro, símbolo da cultura nacional, autor de sambas como “Trem das Onze”, “Saudosa Maloca”, “Samba do Arnesto”, “Iracema” e outras, Adoniran se apaixonou por uma moça chamada Iracema.
Namoraram, noivaram e marcaram o casamento. Faltando 20 dias para o enlace, a moça simplesmente sumiu, desapareceu, escafedeu-se. Desapontado e triste, Adoniran se vingou, compôs um samba onde ela morre atropelada no trânsito infernal de São Paulo.
Ele também era humorista, com a alcunha de “Charutinho”.
Ele a matou no samba. Simples assim. Lembremos a letra:
“Iracema, eu nunca mais eu te vi
Iracema, meu grande amor foi embora
Chorei, eu chorei de dor por que
Iracema, meu grande amor foi você
Iracema, eu sempre dizia
Cuidado ao travessar essas ruas
Eu falava, mas você não me escutava não
Iracema, você ‘travessou contramão
E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso senhor
De lembrança, guardo somente suas meias e seus sapatos
Iracema, eu perdi o seu retrato
Iracema, fartava vinte dias pro nosso casamento
Que nóis ia se casar, você atravessou a rua São João
Veio um carro, te pega e te pincha no chão
O chofer não teve culpa, Iracema
Cê travessou contramão
E hoje ela vive lá no céu
Ela vive bem juntinho de nosso senhor
De lembranças, guardo somente suas meias e seus sapatos
Iracema, eu perdi o seu retrato”
Doce vingança. Fez de sua dor motivo de alegria eterna nas rodas de samba do Brasil e do mundo.
Grande Adoniran…parafraseando Tom Jobim…”se todos fossem no mundo iguais à você…”




